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O que são e quais são as classificações API e SAE para óleos lubrificantes e as diferenças entre elas?

O API (Instituto de Petróleo Americano) estabeleceu um sistema de classificação para os óleos de motor, que é baseado em níveis de desempenho para cada tipo de óleo, sendo constituído de testes de motores, de bancada e de campo, e limites pré-estabelecidos de avaliação. Este sistema foi desenvolvido de tal forma que permite a adição de novos níveis de qualidade à medida que se fizer necessário suprir novas exigências da indústria automobilística: SF < SG < SH < SJ < SL.

A classificação SAE (Sociedade dos Engenheiros Automotivos) não considera o desempenho do produto, mas apenas a sua viscosidade. A viscosidade de um óleo é a medida da sua resistência ao escoamento e varia conforme a temperatura. A baixa temperatura, um óleo é mais "espesso", isto é, sua viscosidade é maior. À medida que se aumenta a temperatura, o óleo torna-se cada vez mais "fino", isto é, sua viscosidade diminui. Um óleo que flui lentamente prejudica a partida do motor, enquanto que um óleo muito "fino" proporciona uma lubrificação deficiente e um alto consumo do mesmo. Atualmente encontramos no mercado, lubrificantes com diferentes classificações de viscosidade: SAE 20W 50, SAE 10W 40, etc.

Colocando de maneira simplificada, um óleo 15W 50 se comporta a frio como um óleo SAE 15W e a quente como um óleo SAE 50. Na prática, o número que possui o W, refere-se à partida a frio do motor. Quanto menor ele for, mais rápido o óleo fluirá, no momento mais crítico, que é o da partida, evitando o contato entre as partes metálicas minimizando o desgaste. O número sem o W refere-se à viscosidade do óleo na temperatura de operação do motor. Assim, um óleo 5W 40, terá o mesmo comportamento de viscosidade a quente, que um óleo 15W 40 já que ambos serão SAE 40. Sua viscosidade na partida a frio, entretanto, será menor, permitindo que o lubrificante atinja a parte alta do motor mais rapidamente.

No Brasil são mais comuns os óleos SAE 40 e 50. Apesar disso, já existem montadoras que estão recomendando óleos mais finos para seus motores, mesmo para o nosso clima. É o caso, por exemplo, da Ford que recomenda para alguns de seus modelos um óleo SAE 5W 30. Essa recomendação se deve a tecnologia de motor mais avançada empregada nesses motores que requerem óleos "Fuel Economy" (Economia de Combustível). Esses óleos (mais finos) se adaptam perfeitamente a essa nova demanda, de motores mais econômicos e mais eficientes.

Existe algum problema em se usar um óleo sintético quando o recomendado é o mineral, ou vice-versa?

Não existe qualquer restrição quanto ao uso de óleos sintéticos em lugar de óleos minerais. Fazemos, entretanto, uma ressalva quanto ao uso de óleos sintéticos em motores antigos, principalmente quando não conhecemos o histórico de lubrificação desses motores. Motores que possuem um histórico de lubrificação ruim (uso de lubrificante de baixa qualidade e períodos de troca estendidos), mesmo em casos de quilometragem não muito elevada, devem seguir certos cuidados antes de efetuar a troca do óleo. Caso o motor apresente uma grande quantidade de borra a alteração na base do óleo deve ser seguida de uma série de cuidados.

A princípio faz-se necessária a realização de um flushing com o próprio óleo escolhido, fazendo a primeira troca, tanto do óleo como do filtro, num período bem curto (cerca de uns 1000 km). Nesse período, deve-se acompanhar o comportamento de consumo, sua cor pela vareta, além da pressão de óleo pela luz testemunha no painel. Este monitoramento é essencial para garantia do funcionamento adequado do motor, pois caso ele esteja com muita borra, existe uma grande chance desta se desprender pela ação de limpeza do lubrificante sintético ou semi-sintético podendo entupir a tela do tubo pescador ou alguma galeria, prejudicando a lubrificação. Nestas situações onde a quantidade de borra é elevada, é necessário a realização de uma limpeza mecânica do motor, com a retirada do Carter e outras peças.

A segunda troca, do óleo e do filtro, deve ser realizada com 5000 km e daí em diante gradativamente, até que seja alcançado o intervalo de troca estabelecido pela montadora, no manual do proprietário. Quanto maior for a quilometragem rodada do veículo, maior deverá ser a atenção no caso de troca de bases.

O contrário, que corresponderia a migração de um óleo sintético ou semi-sintético para o mineral, poderá ser realizada sem problemas, deste que este último atenda às especificações mínimas estabelecidas pela montadora. Entendemos que os motores lubrificados com produtos de base sintética tendem a apresentar maior limpeza. É bom ressaltar que, neste caso, a escolha de um óleo de qualidade inferior, impactará na vida útil do motor.

Os motores quatro tempos de motocicletas exigem lubrificantes diferentes dos motores de automóveis? Porque?

Embora existam exceções, a maior parte das motos 4 tempos possui um reservatório único para o motor e para a caixa de câmbio, que inclui também o disco de embreagem imerso no óleo. Neste caso faz-se necessário que sejam atendidas demandas extras de esforço no lubrificante, quando comparadas aos óleos para carros de passeio. Lubrificação e proteção do motor: Neste ponto não existe diferença real em relação à lubrificação dos carros de passeio, lembrando que esses motores por questões de projeto e operação exigem óleos de alto desempenho.

Lubrificação da caixa de câmbio: Geralmente são lubrificadas por óleos multiviscosos (com elevado IV – índice de viscosidade). No entanto, sob condições árduas, como elevadas temperaturas e longos períodos de troca, o polímero aumentador do IV, pode sofrer cisalhamento ocasionado pelo esforço mecânico entre os dentes da engrenagem. Este cisalhamento provoca uma queda acentuada na viscosidade, aumento de desgaste do motor e da caixa de engrenagem e lubrificação ineficiente. Uma solução será a utilização de óleos básicos sintéticos.

Embreagem: Geralmente o disco de embreagem trabalha no interior da caixa de câmbio. Com isso o óleo terá que evitar que a embreagem derrape. Em geral os óleos para motores possuem modificadores de fricção, que reduzem a fricção e com isso aumentam a economia de combustível. Tais óleos podem fazer com que os discos de embreagem escorreguem, reduzindo a fricção durante a aceleração do motor. Outra observação constatada pelos motociclistas refere-se a utilização de óleos muito viscosos na partida a frio. Estes acarretam o endurecimento e emperramento da embreagem.

As motocicletas 4 tempos solicitam do óleo lubrificante características diferentes das solicitadas por um carro de passeio, apesar do princípio de funcionamento do motor ser o mesmo. Portanto sua formulação diferencia-se da utilizada nos óleos para motores de veículos a passeio. As motos, por exemplo, operam em altas rotações e elevadas temperaturas na parte superior do pistão e Carter, além de possuírem uma relação potência/cilindrada elevada. O lubrificante deverá lubrificar os mancais, cilindros e mecanismo de válvulas; refrigerar o motor, especialmente mancais, mecanismo de válvulas e pistões; promover vedação entre a câmara de combustão e o Carter (entre os anéis de segmento e o cilindro); manter o interior do motor limpo, mantendo a fuligem e contaminantes (principalmente os gerados pela caixa de câmbio e embreagem) em solução para evitar a deposição deles.

Para garantir maior proteção contra desgaste, o óleo deverá possuir a menor viscosidade possível na temperatura de operação, sem que haja um rompimento do filme de lubrificação. O óleo também deve conter aditivos para garantir a proteção contra formação de depósitos (detergentes), borra (dispersantes) e antioxidantes para retardar a deterioração do óleo.

Propriedades que influenciam na escolha do óleo para motos 4 tempos:

- Elevado índice de viscosidade
- Elevada estabilidade ao cisalhamento
- Boa performance de funcionamento da embreagem úmida
- Ausência de modificadores de fricção
- Elevada estabilidade térmica

O equilíbrio da viscosidade se mostrará extremamente importante, de forma a proteger as engrenagens do câmbio (viscosidade não muito baixa) por um lado e viabilizar economia de combustível (viscosidade não muito alta) por outro. Essa característica será proporcionada por um elevado índice de viscosidade. Além disso, o lubrificante deverá proporcionar uma boa performance de funcionamento da embreagem úmida, de maneira a evitar patinação ou torná-la de difícil engate, permitindo suave engrenamento. Os agentes modificadores de fricção geram patinação da embreagem. Tem de ser evitados, óleos para motores de carros de passeio.

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